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terça-feira, 6 de março de 2012

Diário de uma adolescente grávida: Não precise de quem não precisa de você.

Bom, aqui vou fazer um desabafo na verdade...

As vezes achamos que podemos mudar as pessoas, e achamos que um filho vai fazer elas amadurecerem, mas nem sempre é isso o que acontece. Eu amei tanto alguém e sempre acreditei que ele iria mudar, e ele é o pai da minha filha. O “pai” deste bebê que está dentro de mim, mas ele diz que não queria uma menina e fica triste com essa notícia, te chama de gorda, e diz que você não vai aguentar e não procura mais nem você, nem a filha dele. Nunca se importou em te ofender. Chamou-me de criança.

Criança por quê? Porque eu estou dedicando a minha vida a um bebê, porque eu enfrentei todos os tipos de preconceitos das pessoas? Porque eu aceitei mudar o meu corpo por causa de uma vida? Porque agora eu cuido 20 vezes mais da minha saúde e alimentação porque eu sei que não posso ficar doente, pois dentro de mim tem alguém que precisa muito de mim e da minha saúde. Porque eu sofri muitas dores e vou ter muito mais, fora os enjoos e tonturas? Porque eu fui contra o aborto, e aceitei a minha vida mudar completamente com apenas 14 anos. Quantas “crianças” você vê por ai que fazem isso? Que assumem de verdade uma filha, com apenas 14 anos. Sou criança porque quero dar muito amor e cuidar dessa criança mais do que tudo no mundo, porque quero me dedicar a ela com todas as minhas forças? Porque aceitei amadurecer e criar responsabilidade bem mais cedo que muitas meninas da minha idade? 

E você, se mesmo com tudo isso me chama de criança, você acharia bem maduro se eu tivesse abortado? Se eu tivesse renegado? Isso sim seria uma atitude de criança e mais ainda, seria uma covardia. Antes de me chamar de criança pense bem no significado dessa palavra. Mas antes o que era tanto amor, tanta paixão, hoje eu percebo que não sinto nada, nem ódio, nem raiva, nem rancor. Á pessoas assim eu nunca deveria ter confiado o meu amor.

Postado por: Micaela Lange.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Diário de uma adolescente grávida: Primeiros passos da gravidez.

Olá leitores (as), estou de volta. Quero primeiramente pedir desculpas por não ter mais postado, tive vários problemas familiares e não pude postar, mas em fim estou aqui e estou cheia de novidades para compartilhar com vocês.

Depois das primeiras roupinhas, fiz a primeira ecografia. Era dia 1 de Janeiro quando tive uma ameaça de aborto, tive dores muito fortes e um pouco de sangramento. Estava na praia e no mesmo momento que essas dores ficaram fortes minha mãe me trouxe no hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre. Tomei uma medicação na veia e fiquei em observação, fiquei 5 horas no hospital, e antes de ir embora fiz uma ecografia, a primeira ecografia. Mesmo com toda aquela dor, quando eu ouvi o coração do meu bebê parece que tudo passou, senti uma felicidade, uma paz. Nunca havia sentido algo parecido antes. Depois daquilo fiz mais uma ecografia e descobri que estava com descolamento da placenta, e eu precisava ficar de repouso absoluto até voltar tudo ao normal, por que se eu caminhasse muito, fizesse esforço, ou não me alimentasse direito eu perderia meu bebê. Fiz o repouso e depois de um mês graças a Deus estava tudo bem, meu útero estava ótimo e estava tudo no normal. Foi durante esse tempo que eu fiz um exame de sangue para saber o sexo do bebê, é um exame novo, chamado “DNA fetal”, já conseguem descobrir o sexo do bebê através do sangue da mãe. O resultado do exame foi que eu estava esperando uma princesinha, um anjo, uma menina.

Postado por: Micaela Lange.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Diário de uma adolescente grávida: Primeira consulta de pré natal.‏

Olá meninas, antes de começar a falar sobre a minha primeira consulta queria mostrar para vocês as primeiras roupinhas que eu ganhei no dia 16, um dia depois de descobrir:

Primeiro presente do pai, Junior.

Primeiro presente do vô Sadi (meu pai).

Primeiro presente da vó Mércia (minha mãe).

Agora sim, vamos lá.

Chegou o dia da minha primeira consulta de pré-natal.  Era dia 18, eu cheguei ao consultório junto com a minha mãe e meu namorado, e fiquei aguardando em torno de uns 40 minutos, até chegar a minha vez. Vi várias mulheres grávidas, com aqueles barrigões e aquilo me assustou um pouco, mais no fundo eu fiquei muito feliz, pois mesmo com tudo o que eu passei e passaria eu queria muito aquele bebê, logo em meus braços. Então o médico me chamou, minha mãe entrou junto e o médico pediu para o Junior aguardar um pouco ali fora. Entramos e sentamos, o doutor começou a me explicar muitas coisas e me dizer o quanto seria difícil a minha gravidez e até que eu deitei para que ele fizesse a primeira ecografia. Então ele chamou o Junior, para que ele pudesse acompanhar também. Eu estava muito feliz, mas ao mesmo tempo muito nervosa, queria tanto ver aquele bebezinho dentro de mim e ter a prova de que realmente tinha uma vida dentro de mim. Só que nada disso aconteceu, quando o doutor colocou o aparelho sobre a minha barriga ele procurou, procurou e nada do bebê aparecer e me falou que não estava aparecendo nada. Sentamos novamente e ele disse:

- Não apareceu o teu bebê na ecografia, como tu é muito nova, às vezes é como plantarmos uma semente de uma planta, a gente planta ela no chão, mas às vezes elas não crescem. Você pode ter perdido o bebê e talvez tua menstruação venha, e consequentemente ele virá junto. Ou a tua gravidez é muito recente e por isso ainda não apareceu, então vamos fazer outro exame de UCG em outro laboratório, se der positivo o bebê está ai só que ainda é recente demais. Caso dê negativo, tu não estás mais grávida.

Naquele momento, me bateu uma tristeza, um nervosismo, um desespero... Eu já queria ter aquele filho, já estava toda animada, ansiosa, aceitando e me sentindo mãe e agora ter perdido? Não, isso não poderia estar acontecendo. Quando saímos de lá, fomos direto em outro laboratório, desta vez na Unimed. Eu rezei para que ele estivesse ali, eu sabia que ia ser difícil, que as dificuldades estavam apenas no começo, mais ter sofrido um aborto eu não queria. Eu realmente estava muito preocupada, pois eu estava dividida entre ter ou não um filho, tudo o que parecia já fazer tanto sentido, agora já não fazia mais sentido nenhum, de novo. Fui para casa, e o resultado sairia naquele mesmo dia, pela internet. E de novo, eu estava na estaca zero, mais dessa vez eu já tinha o sentimento de mãe e de alguma maneira não queria perder aquele anjo.

Cheguei em casa e novamente fiquei esperando muito ansiosa pelo resultado na internet. De repente a minha mãe me olhou e disse: Ai Mica, tu nem vai acreditar, tem um bebê ai sim!
Foi nesse momento que a minha alegria voltou novamente e a partir daquele momento eu prometi ser a melhor mãe do mundo para aquele bebê.

Se alguém tiver alguma dúvida e estiver querendo me perguntar, me perguntem nos comentários que eu responderei todas, obrigada!


Postador por: Micaela Lange.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Diário de uma adolescente grávida: Disse não ao aborto.


Eu tenho certeza que muitas e muitas adolescentes estão passando pela mesma situação que eu, acredito que algumas tenham mais dificuldades e outras um pouco menos, mas isso não é desculpa para querer tirar uma vida. Dificuldades na vida, todos nós temos ou teremos um dia, mas não vai ser só por isso que você vai sair matando pessoas por aí?

Eu tive a consciência de que "eu fiz, eu assumo". A primeira coisa que eu pensei foi: “Eu gostaria que a minha mãe tivesse me matado?” Ai dentro de você mãe, cresce um ser humano que com poucas semanas de vida já tem um coração e alguns órgãos. Esse ser humano ai dentro é inocente, ele não pediu para estar dentro de você, mas agora ele implora para viver. Ele quer o seu amor de mãe, só isso. Amor não é pedir muito.

Por mais que as dificuldades apareçam e, o preconceito das pessoas, levante sua cabeça e olhe para dentro de você, para o seu filho, que para viver só depende da sua escolha. Só depende de você porque se você estiver bem, ele vai estar também. Ele já pode te ouvir, pode ouvir um “eu te amo” ou pode sentir o seu amor. É somente isso que ele deseja, ele não quer o seu desprezo. Não jogue fora a chance de um anjo viver. Não mate essa criança inocente. Ela foi escolhida dentro do teu ventre.

E você, quer ter isso em suas mãos?

“Eu sou a voz que você nunca ouviu. Mamãe, o beijo que nunca te traiu, eu sou e quero ser como você. Serei seu maior presente, me deixa nascer!”

"Aqui é um texto de uma campanha sobre aborto:
Janeiro: Mamãe descobriu que eu era um menino. 
Fevereiro: Mamãe e papai brigaram, acho que foi por minha causa, mas fiquei quietinho.
Março: Chutei sua barriga, desculpe mamãe, foi sem querer.
Abril: Mamãe e papai brigaram de novo e falaram de uma coisa que eu não sabia, um tal de ”aborto”.
Maio: Mamãe foi ao médico, ele pediu para que ela deitasse na cama. Senti algo puxando meu pezinho, pensei que era hora de eu nascer e, de ver minha linda mãezinha, mas, de repente, tudo ficou escuro. Por que me matou mamãe? Logo eu, que já te amava tanto!"

Gurias, eu espero que depois disso muitas meninas que estavam pensando em cometer uma aborto, tenham pensado bem antes e mudado de ideia. Por mais que seja difícil, que seja cedo, um dia ele vai te agradecer! 

Se alguém tiver alguma dúvida e estiver querendo me perguntar, me perguntem nos comentários que eu responderei todas, obrigada!

Postado por: Micaela Lange.



segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Diário de uma adolescente grávida: A descoberta.


No dia 11 de Dezembro de 2011, havia conversado com o Junior (namorado) sobre a possibilidade de eu estar grávida. Estava bem apavorada, pois sabia o erro que tínhamos cometido e estava com muito medo das possíveis conseqüências.

 No dia 13 de Dezembro resolvi contar para minha mãe, já que não sabia o que fazer, mas o medo da reação dela me assustava muito. Passei o dia inteiro pensando e conversei com o Junior, então decidi  chamar ela no meu quarto e contei tudo o que estava acontecendo. Minha mãe assim como eu ficou muito apavorada e nervosa, eu não consegui me conter e chorei. No dia seguinte, minha mãe entrou no meu quarto e me avisou que tinha marcado ginecologista para mim, no dia 15. Nesse dia, cheguei no consultório 9:30 da manhã e logo a doutora me atendeu, expliquei a situação e ela me examinou.
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Quando ela  sentou novamente na sua cadeira disse para mim que era 99% de chances de eu NÃO estar grávida, mas que mesmo assim ela iria pedir um exame de sangue (HCG) que comprovaria ou não a minha possível gravidez. Minha mãe estava na sala de espera, cheguei toda feliz para ela e contei o que a médica havia me falado, ela ficou bem mais calma. Fomos até o laboratório fazer o exame e a atendente disse que o resultado sairia no mesmo dia na internet.

 Fomos para casa e minha mãe conversava comigo o tempo todo sobre isso, muito preocupada e com um olhar de decepção. Eu nunca fiquei tão nervosa na minha vida, era uma “pilha de nervos” e a minha cabeça estava muito confusa. Fiquei aguardando o resultado era mais ou menos 18:30h da tarde do dia 15 de Dezembro quando saiu o resultado dizendo basicamente isso: 828 UI/L    Nota: Se o objetivo deste exame é o diagnóstico de gravidez, o resultado acima deve ser interpretado como POSITIVO. Entre tantos outros números que aquele exame dizia... No mesmo momento entrei em choque, chorei demais, chamei minha mãe para olhar o exame. Meu pai estava na cozinha que na mesma hora desconfiou e enxergou tudo. Fui correndo para o carro e fiquei lá chorando demais, não sabia o que pensar, não sabia se eu queria aquela criança, não podia acreditar que dentro de mim estava se formando uma vida. Eu não conseguia associar isso, não conseguia imaginar que daqui 9 meses aproximadamente eu teria um filho (a) nos meus braços. Eu tinha apenas 14 anos, não sabia quase nada de criança, pois eu era uma. Perdi meu chão, naquele momento.

 Estava decepcionada comigo mesmo, me achando uma idiota e senti vergonha de mim mesma por uma irresponsabilidade. Ao mesmo tempo em que a minha cabeça parecia explodir fiquei pensando no que meus pais falariam, tinha medo de me expulsarem para fora de casa, meu pai era dos antigos. Tinha muito medo da reação deles, achei que literalmente me matariam.  Vi minha mãe vindo em minha direção, com os olhos derramando lágrimas e me abraçou e disse:
-Calma Mica, vai dar tudo certo. Eu passei por isso, eu vou ficar contigo e te ajudar em tudo, vou cuidar dessa criança e de ti mais que tudo. Eu te amo.
Em seguida meu pai veio e me deu um abraço e disse que me amava muito e que faria tudo por mim e pelo meu filho.

Admito que fiquei  muito surpreendida com a reação deles.  Pois esperaria qualquer coisa horrível, menos isso que parecia ter me confortado um pouco de alguma maneira. Eu só chorava e nada do que eles falavam para mim parecia fazer sentindo algum, peguei o telefone e imediatamente liguei para o Junior chorando demais e disse que o resultado havia dado positivo, e que eu estava grávida. Ele ficou em choque, e eu acabei desligando o telefone.

Eu cheguei a falar que não queria aquele bebê, que a minha vida tinha acabado ali. Mas logo em seguida quando fiquei sozinha pensei em tudo, olhei para a minha barriga e mal podia acreditar que ali dentro crescia um ser humano. E no mesmo instante eu falei com meu filho e disse que jamais o machucaria ou mataria ele(a). Pensei comigo, se eu tive coragem para fazer, vou ser bem mulher para assumir, cuidar e dar muito amor para esse anjo que não tem culpa de nada.  Acalmei-me e parei de chorar porque eu já sentia que aquele meu estado não faria bem para o bebê. No dia seguinte, liguei novamente para o meu namorado e ele foi lá até a minha casa, pediu desculpas por não ter me falado nada na hora da descoberta e disse que estava em choque. Mas falou também que me amava muito e que ficaria comigo para o que der e vier, falou que vai assumir o bebê, e que não me deixaria em nenhum momento. Assim como também não deixaria o bebê.  Fiquei bem mais calma com o apoio da minha família e do meu namorado, pois eu sabia bem que na maioria dos casos de gravidez na adolescência não é assim.

“Mas todas essas meninas que estão grávidas e são adolescente não podem pensar em desistir, pensem no que cresce ai dentro de vocês e que ai já bate um coração, um ser humano que só quer viver e que para que isso possa acontecer só depende de você, mãe. Esse anjo é pequeno demais e ainda não pode se defender, nem gritar, muito menos pedir socorro.Não mate quem nunca mataria você.  Não tire a vida da única pessoa nessa história que não tem culpa nenhuma, de nada. Não é a idade que faz a mãe, e sim o amor.
                                                                                                                      

 Postado por: Micaela Lange.